Diretor de Clair Obscur defende JRPGs e explica por que narrativas lineares marcam mais
Guillaume Broche, diretor de Clair Obscur: Expedition 33, afirma que JRPGs contam histórias mais fortes que RPGs ocidentais. Para ele, a linearidade permite criar personagens inesquecíveis em vez de protagonistas vazios.

O eterno debate entre fãs de RPG ocidental e JRPG ganhou um novo e importante capítulo. Guillaume Broche, diretor de Clair Obscur: Expedition 33, declarou publicamente sua preferência pelas narrativas lineares dos JRPGs. Em entrevista, ele explicou que esse modelo permite criar histórias mais sólidas e personagens muito mais memoráveis do que os jogos ocidentais focados em escolhas. A declaração reacendeu a discussão, que já é tradição entre os gamers brasileiros.
A visão do diretor sobre o gênero
Para Broche, o termo RPG é amplo demais para caber em uma única definição. Quando pensa em RPGs ocidentais, ele cita três pilares imediatos: Baldur’s Gate, Fallout e Skyrim. Nesses títulos, o personagem que você joga tem o poder de mudar a história, e o jogador se torna o verdadeiro protagonista. O diretor resume que os WRPGs deixam você construir sua própria jornada, mas essa liberdade cobra um preço na construção dos personagens.
Já nos JRPGs, a lógica é completamente diferente. A história é contada de forma linear, do início ao fim, como um livro bem estruturado. Segundo Broche, é exatamente essa condução fechada que permite desenvolver protagonistas com identidade própria, arco narrativo e peso emocional. Enquanto o Dovahkiin de Skyrim funciona como uma tela em branco, os personagens de Clair Obscur já nascem com personalidade, conflitos e motivações definidas.
Por que a linearidade funciona tão bem
Broche reconhece que os RPGs ocidentais têm qualidades inegáveis e cita que existem muitos WRPGs excelentes onde o jogador sente que está dirigindo a história. Mas reforça que essa é justamente a grande linha divisória entre os dois estilos. Nos JRPGs, existem algumas escolhas menores, mas a jornada é conduzida do ponto A ao ponto Z. Para ele, isso cria uma experiência mais coesa, onde cada evento foi cuidadosamente planejado para gerar impacto emocional.
Essa defesa da linearidade encontra eco em uma parcela grande de jogadores brasileiros. Muitos cresceram com clássicos como Chrono Trigger, Final Fantasy e Persona, que provam que uma boa história não precisa de árvores de diálogo complexas. O diretor argumenta que, quando o roteirista tem controle total sobre a narrativa, é mais fácil criar momentos marcantes e personagens que permanecem na memória do jogador por anos.
O impacto de Clair Obscur e o futuro do estúdio
A declaração ganha ainda mais peso considerando o sucesso de Clair Obscur: Expedition 33. O jogo desenvolvido pela Sandfall Interactive foi amplamente reconhecido pela crítica e pelo público como um dos melhores lançamentos do ano. A construção de personagens foi um dos pontos mais elogiados, provando na prática que a visão de Broche funciona. Para os jogadores brasileiros que ainda não experimentaram, fica a dica de um título que honra a tradição dos JRPGs com um toque ocidental.
O próximo passo do estúdio ainda é um mistério, mas a Sandfall Interactive já adiantou que pretende enlouquecer um pouco com o próximo projeto. A ideia é sonhar de novo e ser criativo, algo que anima os fãs do gênero. Enquanto isso, a declaração de Broche serve como convite para repensar o valor da narrativa linear em uma indústria cada vez mais obcecada por escolhas e finais múltiplos.
A discussão está longe de terminar, e isso é ótimo para os jogadores. Afinal, a diversidade entre os estilos é o que mantém o gênero RPG tão especial, tanto no Brasil quanto no mundo todo.
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