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Dragon Age pode mergulhar em hiato longo, alerta veterano da BioWare

Mark Darrah, nome histórico da BioWare, diz que Dragon Age pode ficar anos sem um lançamento. Bastidores conturbados na EA e o foco total em Mass Effect deixam o futuro da franquia incerto.

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Dragon Age pode mergulhar em hiato longo, alerta veterano da BioWare

Os fãs de Dragon Age podem precisar de muita paciência. Mark Darrah, veterano com 23 anos de BioWare e produtor executivo da franquia, afirmou em entrevista recente que não vê um novo jogo da série sendo aprovado tão cedo. Na visão dele, o problema não é simplesmente falta de vontade, mas sim uma estrutura interna da EA que dificulta demais o início de novos projetos.

O labirinto da aprovação na EA

Darrah foi direto ao apontar o processo de greenlighting da Electronic Arts como o principal vilão. Segundo ele, a propriedade intelectual de Dragon Age vive numa espécie de limbo corporativo, onde várias pessoas acreditam que têm controle sobre a marca. Na prática, qualquer tentativa de tirar um projeto do papel pode ser barrada antes mesmo de ganhar tração.

"O que eu ouvi é que, no instante em que você está prestes a começar, três pessoas diferentes que acham que controlam tudo aparecem do nada e basicamente te destroem", disse o produtor. A declaração reforça o que muitos insiders da indústria já comentam há tempos, a EA possui um processo decisório fragmentado quando o assunto são franquias consolidadas.

BioWare de olho em Mass Effect

Outro agravante é o momento atual da BioWare. O estúdio está completamente concentrado no desenvolvimento do novo Mass Effect, anunciado em dezembro de 2020. Com toda a equipe dedicada a essa produção, Darrah questionou quem dentro da própria BioWare teria coragem ou interesse de levantar a bandeira de Dragon Age.

"O problema é que eu não sei quem na BioWare apresentaria uma proposta para um Dragon Age", afirmou. Ele ainda considera a possibilidade de outro time interno da EA tentar assumir a franquia, mas trata essa hipótese com ceticismo. Na visão dele, qualquer movimento nesse sentido esbarraria na própria BioWare, que não aceitaria passivamente uma intromissão.

"Se alguém na EA decidir apresentar um projeto de Dragon Age, o que eu prevejo é que alguém na BioWare se tornaria uma daquelas pessoas que se jogam debaixo dos dutos de ventilação para acabar com essa pessoa", comparou. Ou seja, a franquia estaria refém de disputas internas, sem um dono claro ou um campeão dentro da empresa.

O que isso significa para o jogador brasileiro

Para os fãs brasileiros, que acompanharam o lançamento de Dragon Age: The Veilguard e suas polêmicas, a notícia é mais um capítulo de uma história de incertezas. O mercado de RPGs ocidentais vive um momento curioso, com estúdios como Larian e CD Projekt Red crescendo, enquanto clássicos como Dragon Age parecem perder espaço dentro de suas próprias casas.

Vale lembrar que Dragon Age sempre teve uma base fiel no Brasil, especialmente desde Dragon Age: Origins, que conquistou uma legião de jogadores no PC. A falta de um novo jogo por anos pode esfriar essa comunidade, que já se mostra bastante crítica em relação aos rumos recentes da franquia. Enquanto isso, a EA parece apostar todas as fichas em Mass Effect e em outros serviços ao vivo, deixando Dragon Age de lado.

Um adeus silencioso?

A declaração de Darrah não é uma confirmação oficial de que Dragon Age está morto, mas acende um alerta importante. Com a BioWare ocupada e a EA relutante em aprovar projetos complexos, a franquia pode realmente passar anos na geladeira. Para um estúdio que já foi sinônimo de RPGs de qualidade, a situação reflete uma transformação maior na indústria.

As grandes publicadoras estão cada vez mais avessas a riscos, priorizando franquias de serviço e mundos abertos multijogador. Dragon Age, ao contrário, é uma marca profundamente ligada à narrativa single-player. Resta aos fãs torcer para que alguém dentro da EA enxergue valor na franquia, ou que o sucesso de outros RPGs narrativos pressione uma mudança de estratégia. Até lá, o silêncio pode ser longo. E, como Darrah bem sabe, no mundo dos games, um hiato forçado muitas vezes equivale a um adeus.

Fonte: GameVicio
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