Comunidade

Jogos mais jogados no PS e Xbox seguem os mesmos há anos, e isso é um problema

A lista dos games mais populares nos consoles praticamente não muda há anos. Entre live services e jogos de esporte, a indústria repete fórmulas, e o jogador brasileiro sente isso na prática.

PlayStationXboxjogos mais jogadoslive servicemercado de games
Jogos mais jogados no PS e Xbox seguem os mesmos há anos, e isso é um problema

A cada fim de semana, a mesma paisagem: amigos reunidos no PlayStation ou no Xbox para acessar os mesmos jogos de sempre. Não é impressão. Os rankings das plataformas mostram que o topo da lista é quase idêntico entre os dois consoles, e o mais curioso é que isso não muda há bastante tempo. Quem observa o mercado de perto já sabe, mas o analista Mat Piscatella resolveu destacar esse cenário de novo: os jogadores continuam presos a um ciclo de títulos de serviço e simuladores esportivos anuais.

Um topo congelado no tempo

Quando olhamos os jogos mais jogados nos consoles da Sony e da Microsoft, o terreno é conhecido. Fortnite, Apex Legends, GTA Online, Call of Duty, Rocket League e Minecraft são nomes que se repetem por anos. Ao lado deles, as franquias esportivas como EA Sports FC, NBA 2K e Madden também garantem presença constante. Ou seja, a maioria dos destaques ou é um live service em constante atualização, ou um jogo que recebe uma versão nova a cada ano.

O que preocupa não é a qualidade desses jogos, mas a falta de movimento no topo. Lançamentos ambiciosos até aparecem nas primeiras semanas, mas rapidamente perdem espaço para os veteranos. Isso demonstra como o jogador médio prefere manter uma rotina em mundos que já conhece, mesmo quando a indústria tenta oferecer novidades. Para as publicadoras, esse comportamento é um convite para apostar cada vez mais no modelo de atualizações constantes, aumentando a sensação de que as paradas são uma repetição do passado.

O efeito do modelo de serviço na indústria

Esse cenário não acontece por acaso. O modelo de serviço, com temporadas, passes de batalha e recompensas diárias, foi projetado para manter o jogador engajado por anos. E funciona. Isso cria um vínculo forte com o público, que muitas vezes já investiu dinheiro e tempo em cosméticos, personagens e progressão. Trocar de jogo significa abandonar esse investimento, o que faz muita gente permanecer nos mesmos títulos por muito mais tempo.

Ao mesmo tempo, jogos focados em campanha single player têm cada vez menos espaço nas listas de mais jogados. Não é que as pessoas não gostem mais dessas experiências, é que elas duram menos e, depois da história finalizada, o jogador volta para os seus serviços favoritos. Esse comportamento explica por que empresas estão mais cautelosas com lançamentos de novos IPs. O custo de desenvolver um jogo novo é alto, e o risco é enorme diante de concorrentes consolidados que já dominam o tempo dos jogadores.

A realidade do jogador brasileiro

No Brasil, essa tendência ganha contornos muito específicos. O futebol é uma paixão nacional, então o EA Sports FC aparece com força total em qualquer pesquisa de horas jogadas nos consoles. O mesmo vale para jogos de tiro, que são extremamente populares no país, inclusive com a presença constante de brasileiros nas grandes competições de Fortnite e Apex Legends. Não é raro encontrar listas de mais jogados com quatro ou cinco títulos que também dominam as rodas de conversa nos grupos de amigos.

Dentro dessa realidade, os jogos de serviço também ajudam a explicar o comportamento de consumo no Brasil. Com preços de jogos altos no mercado nacional, muitos preferem apostar em games gratuitos ou que recebem atualizações constantes sem custo de entrada. É um fator que reforça a presença de títulos como Fortnite e GTA Online, que oferecem centenas de horas de diversão sem exigir uma nova compra a cada temporada. No fim das contas, a tendência vista nos EUA e na Europa se repete e até se intensifica por aqui.

A busca por mudanças em um mercado conservador

Por mais confortável que seja jogar sempre os mesmos títulos, é impossível não questionar até quando esse cenário vai se sustentar. A indústria já começa a sentir o peso de depender tanto de poucos fenômenos. Mesmo os gigantes dos live service podem perder fôlego, e quando um desses jogos enormes começa a declinar, não existe uma fila de sucessores prontos para ocupar o espaço. Porém, enquanto esses nomes continuarem satisfazendo o público, a tendência é que as listas sigam estáveis.

Para o jogador, a dica é ficar de olho nas janelas de lançamento e dar uma chance para títulos diferentes quando possível. As paradas mostram o que a maioria está jogando, mas também revelam uma zona de conforto coletiva que pode esconder experiências interessantes. Jogos originais e com propostas diferentes dependem justamente de um público disposto a tentar algo novo. Até lá, o ranking dos mais jogados no PS e Xbox deve continuar exatamente como está, confirmando que, no mundo dos consoles, hábito sempre vence novidade.

Fonte: Eurogamer
Compartilhar:

Gostou? Compartilhe e acompanhe as notícias!